#3 - 03/07 - 3a feira
Vivendo num Conto de Fadas: a aristocracia
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| Palácio Nacional da Ajuda |
Os dois dias iniciais da viagem irão nos oferecer uma ideia da importância do status social no universo português na virada do século XIX para o século XX. Vimos a opulência e o orgulho da burguesia em exaltar seus patrimônios e sua história de progresso financeiro. Neste terceiro dia exploraremos os luxos da aristocracia lusa, alguns de seus hábitos e parte de sua história - afinal, em um só dia não é possível conhecer uma monarquia que durou de 1143 até 1910.
Após tomarmos café no hotel, pegaremos um táxi até o Palácio Nacional da Ajuda (cerca de 8km do hotel, aproximadamente 15 minutos de carro). Planejaremos chegar no seu horário de abertura, às 10:00. O palácio possui longeva história. O terreno onde está construído foi adquirido por D. João V em 1726. Em decorrência do grande terremoto de 1755, o qual danificou severamente a residência real, o Palácio da Ribeira (cujo complexo abrigava o Terreiro do Paço), a Corte portuguesa desenvolveu verdadeira fobia de que a catástrofe se repetisse. Nesse contexto de desespero, ordenaram a construção de um palácio que não utilizasse alvenaria, apenas madeira e pano. A chamada Real Barraca foi construída num terreno na região de Belém, pouco afetada pelo sismo: justamente o terreno ocupado atualmente pelo Palácio Nacional da Ajuda, e funcionou durante 30 anos como sede da monarquia portuguesa. Posteriormente, no período regencial de D. Maria I, a sede passou a ser o Palácio de Queluz (o qual visitaremos no quarto dia). A Real Barraca encontra seu fim em 1794, assolada por um incêndio de grandes proporções. Era então necessário erigir uma construção digna de abrigar a Família Real. Em 1795 foram iniciadas as obras do atual Palácio Nacional da Ajuda, seguindo uma série de projetos e revisões, períodos de interrupção das obras decorrentes de problemas financeiros e políticos, dentre outras instabilidades. Até hoje o Palácio não está concluído em sua plenitude, havendo um plano para a construção de sua derradeira parte previsto para 2020. Transformado em museu em 1938, abriga a valiosíssima coleção de arte, móveis, tapeçarias e joias pertencentes à Coroa Portuguesa.
Após cerca de 1 hora e meia de visitação, seguiremos a pé até o primeiro jardim botânico de Portugal: o Jardim Botânico da Ajuda. Foi fundado em 1768, seguindo projeto do botânico italiano Domingos Vandelli, vindo de Pádua e chamado pelo rei D. José para ensinar os seus príncipes.
| Jardim Botânico da Ajuda |
Cerca de 40 minutos serão suficientes para apreciar o jardim e tirar belas fotos. Seguiremos a pé pela Calçada da Ajuda por 1.2 km, uma caminhada de 15 minutos descendo uma ladeira (agradecendo não ter de fazer o percurso contrário) em direção ao Rio Tejo. Porém não é ele o nosso destino. Dada a hora, provavelmente estaremos com fome, e aproveitaremos a localidade para almoçar como típicos lisboetas, num restaurante simples: Restaurante O Prado, especializado em culinária portuguesa. Os pratos principais custam cerca de 6 euros. Para consultar avaliações do restaurante, basta clicar no link entre parênteses: (https://www.tripadvisor.com.br/Restaurant_Review-g189158-d3842807-Reviews-O_Prado-Lisbon_Lisbon_District_Central_Portugal.html)
Restauradas as energias após uma refeição lisboeta, andaremos 500 metros, passando em frente à residência do Presidente da República, o Palácio de Belém, em direção ao derradeiro fim de nossa refeição. Afinal, estaremos em Belém e não poderemos perder a oportunidade de comer os autênticos Pastéis de Belém no estabelecimento que os criou.
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| Museu Nacional dos Coches |
Finalmente, devorados os devidos pastéis, seguiremos em direção ao Museu Nacional dos Coches. Este museu possui a mais importante coleção de carruagens e coches do século XVI ao XIX do mundo, e só por isso já merece constar em nosso roteiro. Como estaremos vindo da sede da Coroa Portuguesa, onde conheceremos os tesouros acumulados pela Família Real, este museu que apresenta as carruagens dos monarcas será um complemento para a nossa imersão na vida e nos hábitos da monarquia portuguesa. É uma coleção única no mundo, com certa de 9.000 objetos, sendo o museu mais visitado de Portugal. O complexo do museu conta com dois prédios: o primeiro deles, histórico, construído em 1787 a mando do infante D. João, futuro rei D. João VI, para abrigar o Picadeiro Real, onde a Família Real e a Corte assistiam a jogos equestres; o segundo, contemporâneo, concluído em 2015 e projetado pelo arquiteto brasileiro Paulo Mendes da Rocha (ganhador do Prêmio Pritzker 2006 - considerado o "Nobel" da arquitetura).
Passaremos até 2 horas no museu. De lá, nos dirigiremos até a estação de trem (comboio) de Belém e seguiremos em direção à estação Cais do Sodré, num percurso de cerca de 10 minutos. Essa estação é interligada com o metrô, e traçaremos rota até a casa de nossos parentes lisboetas, com os quais devemos jantar novamente.
Passaremos até 2 horas no museu. De lá, nos dirigiremos até a estação de trem (comboio) de Belém e seguiremos em direção à estação Cais do Sodré, num percurso de cerca de 10 minutos. Essa estação é interligada com o metrô, e traçaremos rota até a casa de nossos parentes lisboetas, com os quais devemos jantar novamente.
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Nosso terceiro dia de viagem foi destinado a conhecer mais intimamente a Família Real portuguesa, percorrendo os espaços nos quais ela passou grande parte de seu tempo - o Palácio Nacional da Ajuda e o Picadeiro Real, atual Museu Nacional dos Coches. Também conhecemos o primeiro jardim botânico português, construído a mando de D. José. Nos deliciamos com o ícone gastronômico português: o pastel de Belém autêntico. Finalizamos o dia com o afago e carinho de nossos ancestrais vivos e ativos, e nos despediremos deles e de Lisboa. Não será um autêntico "adeus", soará mais como um "até logo".
No quarto dia de viagem iniciaremos de fato uma peregrinação pelo interior do país. Adotaremos um estilo de viagem nômade, mudando constantemente de cidade base, o que nos permitirá chegar a locais remotos e fora dos roteiros tradicionais. Nesses locais, nos encantaremos com a autêntica cultura lusa, secular e ainda resistente. Será uma espécie de road trip, e teremos certeza, quando retornarmos a Lisboa no fim dessa aventura, que estaremos transformados e olharemos para a capital com outros olhos.
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Aqui futuramente serão colocadas informações práticas de deslocamentos nos pontos turísticos citados, para uso/interesse de terceiros.
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